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Notícia publicada em 04/02/2018 às 18:52 | Notícias
Pais de estudante espancado e morto há 3 anos pedem justiça em Ji-Paraná

 

 

Douglas foi espancado na saída de boate em Ji-Paraná
Por Pâmela Fernandes
Do G1 Rondônia

Três anos depois de terem o filho espancado e morto na frente de uma boate, os pais de Douglas do Nascimento ainda lutam para que os responsáveis pelo crime sejam julgados e presos em Ji-Paraná. Entre os suspeitos de espancar a vítima estão dois seguranças e um policial militar. 'Ainda temos esperança que os suspeitos irão a júri popular', diz pai.

Cleudimar Divino do Nascimento e Irene Numinado Ruella do Nascimento, pais de Douglas, relembram que na noite do di 29 de janeiro de 2015 o filho passava as férias da faculdade na casa dos pais, quando decidiu sair com alguns amigos até Ji-Paraná para uma festa em uma casa noturna.

 

Na ocasião, o jovem se envolveu em uma briga dentro da casa noturna e, algum tempo depois, foi retirado do local. Os amigos dele só o encontraram no fim da madrugada do dia seguinte, por volta das 5h, caído em uma rua a cerca de 200 metros de distância da boate.

 

O jovem estava desacordado e tinha marcas de espancamento na cabeça. Foi socorrido e, na noite do dia 30 de janeiro, encaminhado à capital, onde ficou na UTI, mas não resistiu a um traumatismo craniano.

 

Três anos depois da perda do filho, os pais não perdem a esperança de que a justiça será feita, também começa a a ficar mais vaga, assim como o número de provas que leva aos suspeitos. Para Cleudimar, todo o processo investigação demorou muito tempo e muitas provas que poderiam ter sido cruciais acabaram se perdendo com o tempo.

 

Pais de Douglas pedem justiça em Ji-Paraná


“As mudanças de delegados, a dificuldade em achar as testemunhas e também a falta imagens de circuito de segurança que poderiam ter facilitado tudo isso, dificultaram ainda mais o processo. Muitas provas que, com certeza existiam, acabaram se perdendo com o tempo. Mas, ainda temos esperança que os suspeitos irão a juri popular”, acredita.


Inquérito e julgamento

 

O inquérito do caso foi finalizado em 2017 pela Polícia Civil e denunciado ao Ministério Público de Rondônia (MP-RO). Ao G1, o MP informou que três pessoas foram denunciadas ao Poder Judiciário. Entre os suspeitos, dois deles eram os seguranças da boate no dia do crime e o terceiro é um policial militar.

 

Por meio de nota, os advogados do policial militar suspeito de participar das agressões à vítima, afirmam que “o acusado sempre negou qualquer autoria ou participação no crime e que a prova pericial e prova testemunhal colhidas pelo Juízo durante instrução processual corroboram com isto”.

 

O pais lamentam o envolvimento de policial no crime, mas acreditam que tudo aconteceu de forma pensada.

 

“Eles bateram apenas na cabeça do meu filho, não foi uma briga, foi algo profissional, eles sabiam o que estavam fazendo”, acredita o Cleudimar.

 

Segundo o processo do caso no Tribunal de Rondônia (TJRO), os suspeitos e testemunhas foram ouvidos em outubro de 2017. Agora são feitas diligências requeridas pelo MP-RO em alegações finais e depois o processo será encaminhado ao juiz para decidir se vão os seguranças e o policial ou não a júri popular.

 

Saudade e homenagem 

 

Mesmo com um sorriso do rosto, os pais contam que a dor de perder o filho não diminuiu em três anos. "A falta dele, em momento algum, eu consegui acalmar isso no meu coração. Agora o que eu acredito e me agarro à esperança é que estas pessoas vão a júri popular”, explica o pai.

 

A mãe guarda com carinho a placa de formatura da turma do filho, que estava no penúltimo semestre do curso de odontologia quando foi morto. Em homenagem à vítima, os colegas da faculdade deram o nome dele à turma.

 

“Ele já tinha decidido que iria ser cirurgião. Mas, infelizmente, o sonho foi interrompido. Muitos dos amigos dele da época ainda nos procuram. Alguns, que hoje são advogados, sempre nos mantém informados sobre o processo e esta placa foi uma homenagem, mostrando o quanto ele era querido”, afirma a mãe.

 

Relembre o caso 

 

Douglas estava em uma festa em uma boate na noite do dia 29 de janeiro de 2015, no centro da cidade de Ji-Paraná. O jovem teria se envolvido em uma confusão e depois foi retirado do local pelos seguranças da casa de show. O jovem fugiu do local e foi encontrado por amigos apenas no final da madrugada do dia 30.

 

 

Ele tinha sinais de espaçamento na região da cabeça e estava desacordado. Foi socorrido e encaminhado para um hospital particular e na noite do dia 30, foi transferido para Porto Velho, onde ficou internado na UTI, passou por cirurgia, mas não resistiu a um traumatismo craniano e morreu, três dias depois das agressões.

 

Na época, o dono da boate onde cancelou todos os eventos no local e fechou o estabelecimento.

 

Dois meses depois do crime, pais e amigos da vítima, realizaram uma manifestação na cidade pedindo que justiça fosse feita. Na época, o delegado, Luiz Carlo Hora, que estava responsável pelo caso afirmou que a maior dificuldade da Polícia Civil nas investigações, era a falta de provas e testemunhas sobre o crime, dificultou o andamento da conclusão do inquérito.

 

Em setembro de 2015, o inquérito foi avocado, ou seja, foi transferido para outro delegado, Cristiano Mattos, que deu continuidade ao inquérito até a conclusão, em meados de 2017.

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