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Notícia publicada em 11/05/2017 às 10:05 | Notícias
Em Ji-Paraná, jovem recusa ajuda e insiste em viver na rua
Há cerca de três meses homem está acampado em um terreno

 

 

Por Marcos Lock 
Do Repórter RO

 

Ele se chama Gilmar dos Santos Nobre. Sua residência: uma barraca doada em péssimas condições. Idade: 28 anos. Situação: morador de rua.

 

Estas são algumas informações que retratam a situação de um cidadão que começa a ficar cada vez mais conhecido na cidade.

 

Há cerca de três meses ele está acampado em um terreno vazio, na avenida Dois de Abril, entre o Clube Vera Cruz e a Secretaria Municipal de Agricultura. Gilmar vive de doações de moradores vizinhos ou de quem passa por ali. Suas roupas ele as lava em um córrego próximo e para as necessidades fisiológicas, bem como para banhos, ele recorre à rodoviária ou ao Clube Vera Cruz.


Abordado pela reportagem, ele revelou-se de pouca conversa e sua barba e cabelos descuidados demonstram que não consegue manter a higiene pessoal mínima. A falta de coerência em sua conversa também deixa evidente que sua saúde mental está comprometida. 


ELE LAVA ROUPAS NO CÓRREGO PRÓXIMO À SUA BARRACA


Consultada a respeito, a secretária municipal de Assistência Social, Sônia Reigota, disse que vem acompanhando esta situação desde o início com sua equipe de assistentes sociais e até psicólogos.

 

Ela informa que ainda não realizou uma intervenção definitiva porque está acatando um parecer expedido pela 2ª Vara Criminal de Ji-Paraná, que proíbe a remoção sem o consentimento da pessoa. “Já  tomamos muitas medidas, entre elas a localização da família, que  reside no bairro Jorge Teixeira. Também fazemos visitas semanais para avaliar o estado geral da saúde do Gilmar, oferecemos roupas, alimentos e cuidamos da higiene do local onde ele está morando. Mas ele se recusa a voltar para casa e não quer sair dali”, esclarece a secretária.


Ela acrescenta que há outros casos na cidade de pessoas que insistem em “residir” nas vias do município e que não aceitam outra condição, o que impede os órgãos competentes de tomar uma medida efetiva.


O assistente social, José Maria Costa, é o encarregado das providências diretas neste caso. Ele conhece Gilmar Nobre há 1,5 ano e meio. “Ele já morou em vários lugares nas ruas aqui do Primeiro Distrito e sempre recusou a nossa ajuda. Tenho ido sempre conversar com ele e tento convencê-lo a sair desta vida, mas ele nunca concorda”, diz o técnico da Semas. José Maria foi o responsável por acionar o Centro de Atenção Psicossocial da prefeitura de Ji-Paraná, para prestar atendimento psiquiátrico e até conseguiu um aposento para que Gilmar pudesse morar de graça. Tudo em vão. “Fizemos um pedido para o Ministério Público solicitando a internação compulsória e estamos aguardando a definição deste caso. Enquanto isso, vamos cuidando do Gilmar para minimizar seus problemas”, arremata José Maria.  

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